3 de março de 2014

Breaking Bad


Escolhas. Se existe algo que a série Breaking Bad possa nos dizer é sobre escolhas. Aquelas que definem nosso destino. Aquelas que dizem quem nós somos ou o que nos tornamos. Aquelas em que não há retorno para o passado. Acompanhando como um viciado em metanfetamina todos os episódios desta série, uma das mais aclamadas da televisão americana nos últimos anos, chego à conclusão que outra palavra pode resumir este trabalho criado por Vince Gilligan: Perfeição. Pelo menos o que concerne ao roteiro. Tudo está ali milimetricamente programado, sem buracos e furos na história contada, todos os elementos absurdamente aproveitados. Personagens bem delineados. Situações que prendem o espectador no sofá (ou em qualquer lugar que esteja acompanhando a série). Tensão, drama e humor na medida certa. Bryan Cranston é Walter White, o professor de Química diagnosticado com um câncer no pulmão e que decide tomar uma medida radical para não deixar sua esposa grávida e seu filho deficiente físico numa situação financeira ruim: fabricar metanfetamina ao lado de seu ex-aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul).
O arco do protagonista Walter é o mais interessante, se o desejo de acumular dinheiro para o sustento de sua família era o motor principal de suas escolhas, logo o poder o faz tomar decisões que gerarão grandes consequências a si mesmo e aqueles que estão à sua volta. Walt era o sujeito correto que se tornou um homem que não tem meias medidas para manter-se e sobreviver no violento mundo do tráfico de drogas. Enquanto Jesse, que inicialmente surge como um pequeno traficante e viciado, tem seus princípios morais questionados e postos à prova em situações que o colocam em crise de consciência diversas vezes.
Foram cinco temporadas que cobriram um período de mais de um ano na vida destas duas pessoas ligadas pelo crime e separadas aos poucos por suas convicções e pelo seu próprio senso de humanidade. Não quero entregar aqui os acontecimentos, sendo um desagradável spoiler, somente o assistir dos episódios da série vão fazer sentido a todas estas palavras escritas até aqui. Resta apenas um senso de dever cumprido, de tarefa bem feita, da entrega por um trabalho completo em direção, fotografia, roteiro e atuações (o que dizer de Bryan Cranston, ator formidável que captou todas as nuances do personagem, suas contradições e sua gradativa transformação sem cair em estereótipos, e Aaron Paul, grande talento de sua geração, que com seu olhar e seus trejeitos nos faziam rir, emocionar e nos identificar com seu sofrimento).
A televisão mundial sentirá falta de um projeto de tamanha envergadura e originalidade (sem deixar de aproveitar os elementos clássicos de qualquer narrativa). As escolhas foram feitas, a tragédia ditou os rumos de cada decisão de suas personagens e tudo coerentemente confluiu a um final que não poderia ser diferente e que não poderia ser melhor do que vimos no seu último episódio. Parabéns Vince Gilligan e equipe! Agora é pensar no que vou assistir. Depois de Breaking Bad, confesso que fiquei mal acostumado e que vai ser difícil encontrar uma obra à sua altura.


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