11 de março de 2014

Música ao longe (ao som de “Gal – A Todo Vapor”)


Música antiga, som de outrora com a capacidade de teletransportar-me para longe. Timbre da cantora que oscila entre o suave e a transgressão. Oitavas acima do normal, daquilo que o homem pode alcançar. Psicodelia e tradição. A música transita por entre os ouvidos, aciona o cérebro, eriça os pelos, torna melancólico e saudosista o olhar (até de algo que nunca presenciou ou viveu). O olhar que ouve. Ouve atentamente a letra, a melodia, a entonação da intérprete e a tudo entende. E se estende diante desta maravilha. A canção de ontem evoca o passado, invoca os fantasmas. Transforma a descrença em mágica. Num eterno passear pelos anos. Da aurora de muitas vidas. Das eras de ouro de toda gente. O passado fica até mais bonito diante dela. A música consegue fazer com que o passado torne-se ainda mais relevante. Não se pensa no futuro ao escutá-la. Tudo é uma suspensão. A realidade transforma-se, por minutos, em algo até mais palatável. O mundo não vai mudar. Seguirá seu fluxo de desgraças e tragédias. Pouca ou nenhuma revolução acontecerá. Mas quantas alterações dentro de nós, durante os preciosos minutos da canção. Que continue assim, resistindo aos dias, quebrando nossas resistências, não desistindo de nós. Dos nós. Somente capitulando aos nossos ouvidos. Ávidos por captá-la. Mais uma vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário