16 de março de 2014

Na Estante 17 - O Túnel (Ernesto Sabato)


Livro: O túnel
Coleção Folha Literatura Ibero-Americana
Autor: Ernesto Sabato
Editora: Media Fashion
Ano: 2012
Páginas: 151


Ernesto Sabato figura ao lado de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares, entre outros, como um dos grandes nomes da literatura argentina. O Túnel é um de seus trabalhos mais notáveis. Um romance que é um convite à mente turbulenta de um artista plástico responsável pelo assassinato de seu grande amor, uma mulher casada com um homem cego, a única que percebera um detalhe importante para o pintor em uma de suas obras numa exposição. Juan Pablo Castel é um personagem que me irritou nas duas leituras que fiz desta obra, não que ele não tenha ficado menos interessante após uma revisão. Obsessivo, instável, inseguro, doentio, ciumento, Juan Pablo é uma figura antissocial, nutre um desprezo pela humanidade e até por si mesmo. Sabemos de seu trágico relacionamento através de seu relato, portanto Castel assume um ponto de vista parecido, por exemplo, com a de Bentinho em Dom Casmurro. Tudo é motivo para Castel desconfiar de Maria Iribarne, encontrar contradições em suas falas, sinais de traição em seus gestos e olhares que dissimulam seus verdadeiros sentimentos. Maria pode ser considerada como uma espécie de Capitu, guardadas as devidas proporções. Sua postura esquiva, enigmática traz dúvidas ao protagonista e ao leitor, que nunca vão saber exatamente o que ela esconde, quais segredos oculta. Sabemos que esta história de amor está fadada ao fracasso assim que Maria, em um de seus encontros com Castel diz: “Faço mal a todos que se aproximam de mim”. O título do livro, O Túnel, é uma metáfora da solidão de Juan Pablo, quando este percebe-se isolado com seus pensamentos e suas preocupações, suas teorias e desconfianças, que ninguém pode ajudar, nem mesmo seu amor por Maria.

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