30 de março de 2014

#NãoVaiTerCopa


Não sou fã da Copa do Mundo. Seu acontecimento ou não, não interfere na minha vida, no meu sentimento patriota, na minha noção de cidadania. Não me comovem as pessoas que se enchem de um espírito ufanista, pintam a cara de verde amarelo, enfeitam as ruas com as cores de nossa floresta e nossas riquezas, decoram tudo como se fosse uma festa junina bicolor. E dá-lhe paciência para aturar os jingles que pululam nas rádios e na televisão, com letras sempre óbvias e fracas. Tudo lembra aquele sentimento falso e quase unânime do Natal, com todos risonhos e solidários ao próximo andando pelas ruas com suas sacolas de compras. Torcedores choram com os acordes do hino nacional, extasiam-se com a vitória da Seleção Brasileira em cada jogo e praticamente desenvolvem sintomas de infarto durante os 90 minutos da partida e se ela vai para a cobrança de pênalti então... Haja Coração!!!! Como gritam os narradores dos jogos. Não que as pessoas não possam torcer, sentir toda esta emoção, não que não seja espontâneo e sincero. Só que eu ignoro, as pessoas se importam. Um contra milhões.
Toda a atenção do Governo está voltada a esta Copa do Mundo, todos os milhões gastos do dinheiro público gerou revolta na população e a levou para as ruas para protestar contra o evento. Revolta tardia, diga-se de passagem. Ninguém tinha se oposto quando o país candidatou-se e foi eleito em 2007 para sediar os jogos. E quem acha que o país vai parar todos os preparativos para a maior festa do futebol mundial porque as pessoas resolveram agora não querer? Para mim, isso soa até mesmo como ingenuidade (ainda mais com tanto dinheiro investido). As pessoas têm todo o direito de protestar, mas a esta altura do campeonato, a Copa acontecerá. Ponto final. Se o evento for cancelado por quaisquer motivos, vai ser histórico. Concordo que o Governo poderia usar os recursos gastos nos estádios em educação, saúde e transporte. Mas não vejo que o evento vá prejudicar o país num todo. Pelo contrário trará mais visibilidade e maiores investimentos também. Claro, como sabemos, ao custo de muita corrupção. Vai ser óbvio que logo depois do fim do torneio, após o Brasil conseguir ou não seu hexacampeonato, surjam denúncias de uso indevido do dinheiro dos jogos, de desvio de verbas, de superfaturamento e que logo acontecerá uma CPI da Copa em que a oposição vai se regozijar em apontar os dedos para os responsáveis, principalmente se estes tiverem uma ligação com algum nome da base de apoio do Governo. Vai ser o ocaso da Presidenta Dilma? O fim da era PT como tantos almejam (sem sequer repararem no que está acontecendo ao seu redor e até mesmo nas melhorias oriundas de sua gestão)?
Não, a hashtag #NãoVaiTerCopa não surtirá efeito. Não sei o que estarei fazendo neste momento, talvez trabalhando, talvez fazendo outra coisa, talvez espiando a TV por curiosidade. Outros podem até protestar e gritar palavras de ordem nas ruas vazias devido ao jogo. Assim que começarem as partidas, todo o restante estará vidrado em frente à televisão ou nos estádios, vibrando ou sofrendo a cada gol (pena que este furor não será transposto para as urnas meses depois na eleição). Afinal, o futebol é o esporte mais popular no planeta e no mundo inteiro. Funcionou assim na campanha de 70 em meio à ditadura e continua a ter seu apelo de quatro em quatro anos.

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