17 de maio de 2014

Silêncio

O silêncio dá medo
Porque tudo, nele, se manifesta
Todas as coisas comunicam
O ruído da humanidade inteira
Sentindo-se pelos ouvidos sucateados
E o sono da madrugada se esvai
Tão atento ao que está ao redor
Ao gemido do apartamento à frente
Ao choro infantil do quarto ao lado
À lembrança do filme de horror
Ao automóvel que escapa um roncar
Que não é de sono
Que não é do meu sono
Nem do outro
E o silêncio incomoda
Como zumbido do mosquito junto à orelha
E o silêncio incomoda
Porque as palavras precisam ser ditas
E não o são
O calar que consente o indesejado
O calar-anuência daquilo que é recôndito
No espaço não se propaga o som
E isso oprime o astronauta
Na rua se propagam todos os decibéis ruídos
E incomoda o transeunte, o morador
Que apenas deseja o silêncio do lar
(E não o terá, visto que não é espaço)
Ou irá temê-lo pela indiferença que o silêncio conota
Receios de conversas vazias
Horrores de incomunicabilidade
O nada que é silêncio
Que comunica tudo
Todas as coisas

E que dá medo.

12/05/2014

Um comentário:

  1. Com um estilo bonito e interessante. Não deixa nada a desejar para Marina Colassanti

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