14 de junho de 2014

Vende-se


Nada na vida é de graça. Existe sempre alguém que se vende como a prostituta das esquinas. Ofertamos uma imagem que não temos, anunciamos benefícios que por vezes não podemos proporcionar. Propagandas espalhando enganos por aí. Sou da política da desconfiança. “Quando a esmola é demais...”, emula o ditado popular. Se até São Tomé exigia provas concretas e visíveis, então por que eu, reles mortal, pobre-diabo, Zé-ninguém, faria diferente? Então não dá para se deixar enganar pelas aparências, mais um conselho fundamental de outra máxima popular para a vida em sociedade. O trabalho explora nossos corpos e mentes em troca de um salário. Exige, em sua maioria, uma disponibilidade e a anulação da vida pessoal em detrimento da pró-atividade ou do comprometimento. Pelos menos muitos patrões ainda possuem esta mentalidade do tempo dos escravos e querem se enganar que todos se predisponham a isto. Em troca da boa figura, da venda de outro eu, pagamos os tributos da tecnologia e nos tornamos vitrines pelas redes sociais, pela formalidade ou não dos e-mails, pelo SMS que pode chegar a qualquer momento. Somos todos vendidos, na camisa de marca ou na grife inacessível à plebe, na tentativa de ser original, na caminhada de rebanho junto ao que é moda. A vida é uma ininterrupta negociação. Permutas e escambos. Compram-nos alguns. Alugam-nos alhures. Emprestam-nos sempre. Somos meros produtos da existência.

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