20 de agosto de 2014

Balzaquiano


Sempre achei charmoso quem tivesse trinta anos ou mais. Não sei se é a serenidade no olhar, a maturidade que já se revela no rosto e nas atitudes não tão mais expansivas quanto as da pouco distante juventude...
Eis-me aqui, balzaquiano, enfim. Trinta anos e me questiono se agora sou eu que causo as mesmas impressões. Isso apenas o outro pode me dizer.
Na verdade minha idade mental sempre foi a de um idoso reclamão e irônico. Chegar aos trinta só aproxima mais a minha personalidade com os dígitos dos anos que não voltam mais. Os hábitos dizem por eles mesmos: A solidão de gostar de coisas que a maioria não compartilha (de livros, músicas a filmes), de pensar um pouco à esquerda da situação, um olhar que permanece distanciado enquanto não sentir-se seguro no local onde se encontra, da mania de preferir sempre o ser antissocial ao falastrão.
Faço então, sem remorsos ou nostalgia, a despedida destes vinte e poucos anos. A coisa agora vai para a casa dos “-inta”, dos “-enta” até quando Deus quiser. Que a serenidade e a maturidade tão admiráveis nos balzaquianos também me acompanhem no correr do tempo, no caminhar das horas, dos irreprimíveis minutos e dos inexoráveis segundos que conduzem a todos nós rumo ao mesmo destino.

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