6 de agosto de 2014

Na Estante 21 - A Confissão de Lúcio (Mário de Sá-Carneiro)


Livro: A confissão de Lúcio
Autor: Mário de Sá-Carneiro
Editora: Escala
Ano: 2008
Páginas: 76


Mário de Sá Carneiro é, ao lado de Fernando Pessoa (de quem era um grande amigo), um dos principais nomes da poesia modernista portuguesa. A Confissão de Lúcio é uma obra em prosa e traz muito dos elementos que caracterizaram a sua produção poética. A estória de Lúcio, um poeta português que decide escrever sua confissão de inocência após 10 anos preso por um crime que ele alega não ter cometido, mas que resignadamente cumpriu. Ele conhece, em Paris, Ricardo de Loureiro, um boêmio poeta que inicia uma profunda amizade com Lúcio e cujas ideias e a paixão pela literatura coincidem totalmente com as suas. Até que Ricardo volta para Portugal repentinamente e no seu retorno ao país lusitano, Lúcio descobre que o amigo está casado com Marta. Só que a figura misteriosa de Marta desperta diversas desconfianças em Lúcio que passa então a investigá-la ao mesmo tempo em que vê despertada em si uma incontrolável atração por ela. O comportamento de Lúcio torna-se cada vez mais obsessivo e nunca sabemos ao certo se devemos confiar no que ele escreve, mesmo porque ele próprio afirma que muitos não acreditariam na sua versão dos fatos. Trata-se de uma novela intrigante com um discreto, porém não imperceptível teor homossexual nas entrelinhas dos diálogos e na conduta das personagens (muito bem aprofundadas psicologicamente, mesmo em se tratando de um novela). Talvez seja esta apenas uma das chaves para a interpretação desta obra representativa da curta e emblemática carreira de Mário de Sá-Carneiro que, apesar do pouco tempo de vida, suicidou-se aos 25 anos, deixou marcas na literatura portuguesa pelo pessimismo e pela inadequação com o mundo, sentimentos que perpassam claramente em A Confissão de Lúcio.

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