20 de novembro de 2014

Livros


Eis os meus livros ao lado. Fetiches. Vaidades. Enfileirados para o regozijo da visão. Letras sequer desvendadas. Palavras que não se manifestaram na mente. Outras tantas lidas e que agora encontram-se encerradas no escuro do livro que só ilumina-se quando aberto. Futuros estudos. Futuras profecias. Futuras anunciações. Anjos Gabriéis de minha vida. Fecundando-me da Linguagem. Linguagem esta que vomito vez ou outra. Quase que por uma obrigação fisiológica. Para enlouquecer, já que somente nestas páginas em branco me permito à insanidade. Volteios de escritos amadores. Amador porque ama muito e não surpreende-se com pouco. Impassibilidade sequiosa. O rosto pétreo que não transparece emoções, mas que as sugere imperceptivelmente tal e qual aquela brochura encerrada em si mesma como rocha. Que só ela sabe o que é ser concreto. Livro concreto na cabeça. Livro aberto. A despejar o secreto que meus olhos podem desvendar ou deixar passar batido. Por pura imaturidade. Existe um tempo para cada coisa. Para cada livro. Assim nascem as paixões, na hora certa. Assim nasce o entendimento. Quando há uma abertura mútua. Assim nasce a escrita. Do algo secreto, aberto, concreto. Dentro de mim. Dentro do livro. Sempre inédito.

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