6 de novembro de 2014

Na Estante 24: Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (Hilda Hilst)


Livro: Júbilo, memória, noviciado da paixão
Autor: Hilda Hilst
Editora: Globo
Ano: 2001
Páginas: 144



Hilda Hilst é uma das maiores escritoras brasileiras do século XX. Seu talento não se restringe apenas aos versos, Hilda Hilst também escreveu para o teatro e em prosa. A intensidade de sua obra poética é uma marca registrada. Intensidade que se traduz em poemas de amor (inspirados principalmente na poesia clássica e medieval, as cantigas de amigo ressignificadas pela sua pena para os tempos de hoje, como se evocasse toda a tradição que a trouxe e a inspirou até ali, no momento da escrita, para uma nova figura feminina) que trazem uma mulher diferente, moderna, mas ainda ansiosa do amado, somente completa com ele. Nos textos de “Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão” o eu-lírico aguarda pelo retorno de Túlio (o amado relembrado em diversos poemas deste livro) ou sabe, conformada, da sua não vinda e vive um misto de gozo e sofrimento. Uma lírica ao mesmo tempo passional, carnal, telúrica, cotidiana com versos livres que trabalham imagens que mexem com a imaginação do leitor e o emocionam com a sinceridade de sua escrita. Não sou um leitor voraz de poesia (c0nfesso que estou me educando em relação a isso), mas descobri Hilda Hilst há muitos anos atrás com a obra em prosa “Com os meus olhos de cão”, que marcou minha trajetória leitora, e os belos poemas de “Alcoólicas” (através de uma oficina literária em São Miguel Paulista, nos meus velhos tempos de “vagabundo”). “Júbilo, Memória...” foi um gracioso retorno à obra deste grande clássico da nossa literatura brasileira que vem sendo finalmente reconhecido, graças ao trabalho árduo e apaixonado de divulgação de seu legado pelo Instituto que também leva o seu nome. Bem, os versos de Hilda Hilst falam por si sós.

“Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.”

Hilda Hilst

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