10 de dezembro de 2014

Conclusões docentes


Na lousa, palavras vazias tentam em vão disseminar e decifrar a linguagem. Ninguém, naquele desprezado recinto, as lê ou dá-lhes a devida atenção (no máximo devota um olhar copista, automático, maquinário, sem refletir sobre o que transcreve). O sentido apresentado pelo professor faz-se tortuoso, interrompido por demasiadas broncas e risos, pela dispersão a qual nenhum ser ali tem culpa (muito menos as estrelas, permitam-me o trocadilho). A culpa é exterior e maior, é sistêmica, problemática e real (concreta como a lousa e o giz), oprime, porém ainda não vence. Não vence enquanto a resiliência for a regra, se a resistência for verídica, mesmo que a prática seja mais difícil que esses conselhos que podem soar estanques como as palavras na lousa. Palavras que também revelam o óbvio: todo dia o docente é um discente na tarefa de ensinar.

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