26 de dezembro de 2014

Maldita poesia



Queria rimar amor com flor
e não deixaram
Julgaram clichê, óbvio, usual
Queria cantar as musas e as mazelas
Milhares de outros o fizeram
e roubaram o ineditismo dos meus versos
Queria usufruir da branquitude poética
Gozar da liberdade de não mais apegar-me
à coincidência fonética
ao fim de cada linha deste mal traçado poema
Mas o que resulta é prosa pobre
(e pouco disfarçada)
Decapitada e empilhada uma embaixo da outra.
Nem o ritmo das aliterações
ou a escansão detalhada
Nem metrificação decassílaba
Muito menos o fluir das assonâncias
Tudo isso mais rodado que a bolsa da puta na esquina
Tampouco a tão bem-vinda metáfora
Sequer a mais original ironia
Chega! Hoje em dia não há texto
que não tenha sido escrito
Nem verso que seja singular
Não adianta tentar (nenhum esboço!)
Maldita poesia
Nem queria escrevê-la mesmo...

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