6 de dezembro de 2014

Na Estante 25: 1984 – George Orwell


Livro: 1984
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2009
Páginas: 416


Hoje a moda literária é a distopia, principalmente nos livros do segmento young adults, títulos como “Jogos Vorazes”, “Divergente”, entre outros retratam futuros sombrios com sociedades regidas por regimes totalitários. Todas devedoras desta que deve ser a maior distopia literária já escrita. “1984” é um livro urgente ainda hoje, apesar de 30 anos já terem decorridos da época em que o livro é retratado (a obra fora lançada em 1949). George Orwell escreveu para criticar o seu tempo, mas que encontra ecos ainda nos dias de hoje. Winston Smith vive em Oceânia, um país governado pelo Partido e dominado pela figura onipresente do Grande Irmão, que a tudo e a todos vê e observa e controla, inclusive o passado e o presente dos fatos. Winston trabalha no Ministério da Verdade, onde faz alterações de informações em publicações feitas anteriormente de acordo com a necessidade do Partido, como a frequente troca do nome dos países que estão em guerra ou são aliados de Oceânia (a Eurásia e Lestásia). O ódio que Winston sente pelo status quo é velado e não pode ser manifestado sob o risco de ser “evaporado”, desaparecer e ter todo seu histórico de vida sumir junto. Encontra no romance com Júlia uma forma de transgredir as normas e a vigilância local e um incentivo a mais para enfrentar a tirania do Partido (do qual obterá ajuda do enigmático O’Brien, pertencente ao alto escalão). O Partido deseja o domínio completo e irrestrito até mesmo ao pensamento de sua população, controlar a informação (através da manipulação da imprensa e tudo que for registrado pela via escrita) e a língua (com a implantação da Novafala, que visa simplificar e evitar duplos sentidos semânticos de determinadas expressões, reduzindo a fala e a escrita a menor quantidade de palavras possível), torturar e matar se necessário aos que insurgem ou manifestam-se (mesmo que durante o sono ou através da expressão contrariada da face) contra o Partido ou o Grande Irmão. Lançado após os eventos da Segunda Guerra Mundial, muitos citam que “1984”, na verdade, é uma crítica ferrenha ao totalitarismo de Hitler e Stalin e suas conhecidas atrocidades. O livro tem muito mais a falar sobre a atualidade, nestes tempos já sombrios, ou no mínimo muito acinzentados, em que pessoas pedem o retorno da ditadura e desfilam preconceito e intolerância pelas ruas. “1984” faz uma reflexão sobre o poder, principalmente daqueles que não querem deixar o topo da pirâmide e muito menos perder os seus privilégios, mesmo que isto custe a vida e a liberdade das ditas camadas mais baixas da população (que no livro são totalmente ignoradas e subestimadas, não oferecem risco ao regime). Mais de seis décadas separam a publicação de “1984” deste ano de 2014. Na mente e no peito, o receio que a realidade de Oceânia esteja ainda mais próxima da nossa do que imaginamos.

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