7 de dezembro de 2014

Na Estante 26: Amálgama – Rubem Fonseca


Livro: Amálgama
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2013
Páginas: 160



Rubem Fonseca inovou a prosa nos anos 60 e 70 com seu estilo seco, o retrato sem filtros da violência que circula e vigora nos grandes centros urbanos, como a coletânea “Feliz Ano Novo” que marcou época na literatura brasileira contemporânea. O conjunto de contos “Amálgama” vem somente reforçar esta temática do autor. Retornam ao papel a mesma violência, certo desgaste emocional e psicológico do narrador em relação às pessoas e à própria cidade e a recorrência de anões, crianças que nascem sem um braço e uma perna, narradores chamados Josés, órfãos de pai e mãe que foram criados pela tia e um humor cáustico e inusitado de algumas cenas retratadas. Temos mães que abandonam os filhos por estes apresentarem algum defeito físico, assassinos de gatos, justiceiros de gente má, escritores que sofrem pressão para entregar um best seller, homens obsessivos por mulheres (desde a segui-las pelas ruas, a ver-lhes o sexo ou que alimentam um sonho estranho que custa uma fortuna) ou que decidem matar o próprio filho, entre várias outras figuras que transitam entre o engraçado e o triste. A grande maioria dos contos (e alguns poemas fracos) possuem finais abruptos, que causam estranhamento ao leitor e isso pode repelir a quem ainda não está acostumado com o universo de Fonseca ou com autores que trabalham a concisão ao extremo, como Dalton Trevisan, por exemplo. “Amálgama” ganhou o Prêmio Jabuti deste ano na categoria Contos e Crônicas e é um belo exemplar de que a literatura deve despertar diversos sentimentos, menos a indiferença e que com este último trabalho de Rubem Fonseca (que muitos consideram seu grande retorno à boa forma literária) essa possibilidade é impossível de acontecer.

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