8 de janeiro de 2015

Do prazer de ouvir um disco completo




A grande maioria tem a mania de ouvir e gostar apenas dos sucessos dos artistas do mundo da música. As pessoas dão pouca atenção às outras canções do CD ou do disco, somente as escutam quando se tornam fãs destes cantores, bandas ou cantoras e compram o álbum em questão. Por isso que coletâneas fazem tanto sucesso, os greatest hits, Top 10, entre outras formas de angariar a atenção e o bolso do consumidor. Por que (se arriscar a) comprar um disco que você goste somente de uma canção ou duas, se pode encontrar todas aquelas mais conhecidas num único produto? Pode até ser vantajoso, mas o quanto nós perdemos também em não escutar algumas raridades e até canções que nos falam mais à nossa mente ou coração. Afinal um disco e artistas vivem também das canções “lado B”, muitas vezes até melhores do que os hits e as músicas de trabalho.
Sou insistente em conhecer um disco, muitas vezes ele só faz sentido para mim na terceira vez ou quarta vez que o ouço, assim como aquele disco casa com um momento especial de sua vida ou com seu estado emocional ou seu humor. Muitos trabalhos eu ouvi pela primeira vez e não enxerguei nada demais e, depois de escutá-los noutro momento, dias ou até mesmo semanas ou meses, eles “me pegaram de jeito”, me cativaram por completo. O estranhamento do primeiro contato é normal. Tem discos que te conquistam à primeira audição e outros que exigem um ouvido mais paciente e apurado.
Aconteceu com o atual Recanto, da Gal Costa, com alguns álbuns da Marisa Monte, agora estou redescobrindo Elis Regina e seus mais emblemáticos trabalhos (o de 72, 73, Falso Brilhante, Vento de Maio e, especialmente, Elis e Tom, uma pérola de tão perfeito), isto somente para ficar na música tupiniquim. Outros se mostram saborosos pelo longo tempo que passamos sem ouvi-los, como se reencontrássemos velhos amigos. O problema é que com a era do MP3, a facilidade dos downloads, talvez tenha contribuído com a impaciência alheia em ouvir um disco inteiro, apenas baixando as canções que gostam.
Afinal o disco é uma unidade, como um livro, um filme. Pelo menos alguns artistas pensam nele como um conjunto e um conceito. Se isso acabará algum dia por completo é uma probabilidade, triste probabilidade, mas uma necessária sobrevivência destes artistas para adaptar-se a um público que exige cada vez mais o fragmentado ao invés do todo.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo blog!

    Te indiquei em uma tag, segue o link: http://lendoporamor.blogspot.com.br/2015/01/tag-liebster-award.html

    Beijos.

    http://lendoporamor.blogspot.com.br

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