27 de janeiro de 2015

Mau humor




Se você é uma daquelas pessoas que acordam com a pá virada de manhã, não quer dizer uma única palavra e suspira a cada passo, então você é um mal humorado. Se você está no transporte coletivo e, de repente, ouve uma conversa animada, cheia de risos escancarados entre duas ou mais pessoas, num volume desnecessariamente alto e isto lhe tira a paciência, você também é um mal humorado. Porque a felicidade alheia incomoda e muito nessas horas, mesmo que todos os motivos estas pessoas tenham para ficar mostrando os dentes e rindo como se esfregasse na cara dos outros: “eu sou feliz até levantando às 5 da manhã”. Mau humor é segunda-feira, mau humor é acordar cedo, mau humor é o mesmo que pisarem no seu joanete ou na unha encravada, mesmo tendo percebido que foi sem querer. Você cometeria um assassinato da pessoa se fosse permitido. Ou quando mexem em seu cabelo sem autorização, na maior intimidade (que você não deu). Mau humor é enfastiar-se dos mesmos assuntos que as pessoas costumam falar (o futebol, as novelas, mulher, homens, crítica aos políticos sem nenhum fundamento). Deus do céu, eles não conversam sobre outras coisas? São as reclamações de sempre dos colegas de trabalho ou até mesmo as reclamações em si (sobre qualquer coisa) que despertam o ogro que existe em você. Mau humor é fim de domingo, o correr dos canais pelo controle remoto quando nada de seu gosto passa na televisão ou quando um simples assistir a um filme gera impaciência. Neurastenia, casmurrice, chatice. Já nomearam das mais diversas formas e sabemos do que se trata. Quando, mal humorados, o que menos queremos é companhia de qualquer espécie humana ou barulho. Um simples ruído ou arrastar da cadeira já é um despertador involuntário. Calma, pode ser que daqui a algumas horas ou somente no dia seguinte (independente de qual é a razão de tamanha irritação: noite mal dormida, pé na bunda ou briga com o namorado, discussão em família ou problemas no trabalho) você esteja curado(a), talvez temporariamente, pois, na maioria das vezes os agentes causadores estão todos lá, à espreita, são todos fatores externos que irrompem aquela velha vontade de se isolar numa montanha ou numa caverna a rabiscar desenhos rupestres e contentar-se apenas com isso.

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