4 de janeiro de 2015

Na Estante 29: Juventude (J. M. Coetzee)


Livro: Juventude
Autor: J. M. Coetzee
Editora: Companhia de Bolso
Ano: 2013
Páginas: 168



Com Juventude, J. M. Coetzee dá continuidade à trilogia autobiográfica iniciada por “Infância” e que se encerra com a publicação de “Verão”. Desta vez acompanha a trajetória do jovem Coetzee, recém-formado em Matemática, que decide morar em Londres. Lá passa a trabalhar como programador para a IBM e envolve-se com algumas mulheres, porém seu plano principal é tornar-se um poeta e este desejo pauta suas escolhas na capital inglesa, até mesmo de sair do atual emprego, correndo o risco de ser deportado de volta à África do Sul, caso permaneça desempregado por muito tempo. Enquanto isso, Coetzee desenvolve, sem muita empolgação, um trabalho de mestrado sobre o escritor Ford Madox Ford e tem relacionamentos esporádicos e desastrados que apenas revelam sua falta de tato com o sexo oposto. São poucos os acontecimentos (ele vai ao cinema, à livraria, visita bibliotecas, tem algumas amizades e flertes) e os conflitos acontecem mais internamente, pela psicologia do personagem. Neste romance o que vale é a observação do protagonista, através de certa frieza do narrador, que, em terra estrangeira, nunca tem por completo o sentimento de pertencimento ao local. Nada o livra da condição de imigrante, um número a mais na população londrina. É neste desconforto territorial que Coetzee consegue ser preciso, no modo de retratar o estrangeiro e como ele é enxergado pelo cidadão inglês, transitando a prosa entre um humor involuntário e a melancolia. Ao mesmo tempo o protagonista não sente-se apegado às suas origens (nem a sua mãe que manda-lhe diversas cartas), sequer pretende retornar um dia à terra natal, tornando-se um verdadeiro expatriado dos dois lados (na África do Sul e na Inglaterra), mesmo sabendo que parte do problema pode estar nele mesmo. "Juventude", como narrativa, não tem o mesmo brilho do ponto de vista de uma criança em “Infância”, como se o personagem crescesse e ficasse mais desinteressante (apesar do seu amor à literatura e seu desejo de tornar-se poeta). Resta saber agora como Coetzee conclui a sua trilogia.

Um comentário:

  1. Olá Wesley
    Indiquei seu blog em uma TAG, confere lá no blog
    Abraços

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