13 de janeiro de 2015

Na Estante 30: Lolita (Vladimir Nabokov)


Livro: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Editora: Biblioteca Folha
Ano: 2003
Páginas: 320



Comecemos pelo óbvio: o narrador Humbert, do romance Lolita, é um pedófilo assumido. O personagem não esconde essa verdade de seu leitor e nem a maquia de outras formas durante a narrativa, assim como conta com riqueza de detalhes suas predileções por garotas recém saídas da infância: as ninfetas que ele tanto cita durante o livro. O envolvimento de um europeu de meia-idade com uma garota de 12 anos fez escândalo no cenário literário de 1955 quando o clássico de Vladimir Nabokov foi lançado finalmente após vários editores o terem recusado. Nabokov refuta o título de literatura erótica para o seu romance. Primeiro pela maneira erudita do narrador contar a sua história de amor proibida. E é ela que domina e prende o leitor, mesmo este sabendo ser enredado pela mente doentia de um pedófilo. Se você busca o sensacionalismo ao ler as páginas de Lolita vai acabar se frustrando bastante. Dolores Haze ou Lolita é uma daquelas criações as quais recaem uma aura de mistério enquanto Nabokov, através do olhar de Humbert, revela um pouco dos costumes norte-americanos. O choque dentro da estória não é somente o de entre as diferentes gerações (Humbert adulto; Lolita, uma adolescente), mas também das diferenças culturais (Humbert, a tradição europeia; Lolita e outros personagens, a nova cultura de massa ianque, o entretenimento), como muitos especialistas já apontaram. Nabokov, ele mesmo um imigrante russo que passa a viver nos Estados Unidos e a escrever seus textos em língua inglesa. O autor, além disso, mostra a América e seus cenários diversos através das viagens feitas por Humbert na companhia de Dolores, após a morte trágica da mãe dela (com quem Humbert se casara). O prazer da leitura mistura-se a um leve sentimento de culpa para o leitor, já que presenciamos um crime tão condenável na época e hoje em dia, são muitos os casos de pedofilia que circulam por aí. Por outro lado a fluência da escrita de Nabokov, a perspicácia e até o humor irônico de suas observações também deleitam como se fôssemos Humbert a desejar e a contemplar o objeto de sua paixão em algumas passagens do romance ou a desprezar as pessoas à sua volta. Se Lolita entrou para a história literária do século XX é justamente por esta dubiedade e pela rica construção de personagens como os protagonistas desta história de amor e loucura.

2 comentários:

  1. Olá, tudo bom?
    Quero muito ler Lolita, mas como a temática é tão polemica eu fico com receio.

    fridasolitaria.blogspot.com.br

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    1. Não tenha receio, o livro é muito bom. Vale a pena!

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