23 de janeiro de 2015

Na Estante 31: Reparação (Ian McEwan)


Livro: Reparação
Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2011
Páginas: 272


O filme levou-me ao livro. Não é a ordem ideal, mas é o que acontece muitas vezes quando assistimos adaptações cinematográficas de obras literárias. Não cairei no mérito chato e pedante de que “o livro é melhor do que o filme”. Considero “Desejo e Reparação” uma obra-prima e surpreendeu-me muito a fidelidade com que foi transposta a obra de Ian McEwan para a tela grande. Visto nesta ordem inversa (em que o assistir antecede o ler), “Reparação” surgiu como um necessário e iluminador complemento ao filme. Através do livro nos aprofundamos mais na psicologia de Briony, Cecília e Robbie, o leitor entende mais o subtexto de suas ações e gestos. O verão de 1935 foi marcado pelo calor excessivo e por um erro que teve consequências drásticas na vida desses personagens. Briony é uma jovem de 13 anos, escritora principiante e criativa, que finaliza a redação de uma peça a qual desejaria apresentar ao seu irmão que estava voltando de viagem. Este ano marca também o contato de Briony com as complexidades da vida adulta (que reserva algo além da maniqueísta percepção de bons e maus de suas estórias) através de sua irmã Cecília e Robbie, empregado da família que teve os estudos custeados pelo pai delas. Briony nota algo diferente entre os dois quando os observa de sua janela e tira suas próprias conclusões precipitadas a respeito do caráter de Robbie (causada pela leitura de uma carta dele para Cecília e pelo flagrante dos dois juntos numa biblioteca, ambas situações carregadas de sexualidade), o que culmina na acusação de estupro de sua prima Lola, fazendo-o ser preso.
Quais são as consequências de atitude dela? Saberemos nas próximas páginas, onde Robbie está na França, cinco anos depois, agora como soldado aliado durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial, Cecília tornou-se uma enfermeira e Briony também, numa maneira de expiar a culpa que só com a chegada da maturidade tem feito com que ela entendesse a gravidade de sua acusação naquele verão de 1935. O autor utiliza-se do fluxo de consciência para que o leitor também se imiscua nos pensamentos destes personagens, entender-lhes as motivações contadas no romance. Existem erros que nunca serão consertados, a reparação de Briony não mudará os fatos, o passado, mas ela usará a ficção (cujas fronteiras com a realidade de seu passado não sabemos ao certo o quanto se fez de interferência) para se redimir do erro ou dar um final mais digno para os dois amantes que tiveram suas vidas transformadas por causa dela. 

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