10 de fevereiro de 2015

Elas conseguiram




 De repente se descortinou outro universo naquelas antigas lousas. Era a língua portuguesa pelo olhar daquelas docentes que estavam há tanto tempo exercendo a sua função. Talvez cansadas, quiçá desestimuladas, possivelmente assustadas com as mudanças que cada geração traz consigo e, com elas também, uma infinidade de problemas de aprendizagem. A língua de cada país é um mistério, a portuguesa é quase um enigma maior. Estrangeira até para os seus próprios falantes. Afinal como compreender o monte de regras que assolam até mesmo quem se dispôs a encará-las com coragem ou, pasmem, ensiná-las a outras pessoas? Elas conseguiram. Neuza, Georgina, Rosana, Catarina, Meire. Entre sérias e tradicionais, entre divertidas e inovadoras. Elas lançaram o mínimo de luz que fosse sobre a escuridão dos aspectos gramaticais, dos elementos semânticos e sintáticos, das intermitências do português, suas inconstâncias e birras. Não é tarefa fácil. Falar a mesma língua a uma sala tão plural, jovem e imatura. Falar línguas diferentes com o intuito de aprender uma só. Dominá-la. Apreendê-la e permitir que outros a entendam. Nem o filho de Zeus com uma mortal realizaria trabalho tão hercúleo. Elas conseguiram. O professor de português é antes de tudo um forte (todo professor, na verdade). Força misturada à flexibilidade diante de tantas transformações orais e escritas. Uma capacidade camaleônica de se adaptar ao ambiente e salvar o mais importante: a aula dada e o conhecimento do aluno (mesmo com as interferências comuns e crescentes da indisciplina). Por isso não as esqueço, por isso é inevitável não espelhar-se nelas. Porque elas conseguiram...

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