19 de março de 2015

Na Estante 35: A Revolução dos Bichos (George Orwell)


Livro: A revolução dos bichos
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2007
Páginas: 147


As fábulas são narrativas protagonizadas por animais que visam provocar reflexões no ser humano ao ver-se retratado através das atitudes e pensamentos dos bichos, aprendendo a lição ou a moral da estória nestas curtas situações. Desde Esopo, La Fontaine, a fábula é uma arma utilizada por diversos setores (família, escola, trabalho) para educar, doutrinar os leitores. George Orwell se apropria desta tradição para levantar a discussão a respeito dos mandos e desmandos da ditadura stalinista soviética no período da Segunda Guerra Mundial substituindo o país de Tchekhov e Dostoievski por uma fazenda do interior da Inglaterra. A polêmica não foi pouca na época do lançamento do livro, afinal a União Soviética era uma das principais aliadas no combate à tríplice Aliança e aos avanços territoriais de Hitler pela Europa. "A Revolução dos Bichos", como era de se esperar, foi recusado por diversas editoras. O porco Major, já em idade avançada, reúne todos os animais da Granja do Solar para comunicar um sonho que teve onde os bichos viviam uma existência livre da exploração humana. Logo Major morre naturalmente e os porcos Napoleão e Bola-de-neve assumem a liderança do levante contra o fazendeiro Sr. Jones. O problema é que a harmonia inicial cede lugar aos desmandos do despótico porco Napoleão, que bane o seu então parceiro Bola-de-Neve e sempre arranja um jeito de maquiar suas reais intenções com a manipulação de informações (incluindo os sete mandamentos, alterados segundo o gosto e a vontade de Napoleão ao longo da estória) e o aumento do trabalho e da repressão na fazenda, incomodando os outros animais, porém estes continuam a cumprir as ordens por um sentimento de união, de início, e logo depois, pelo medo. “A Revolução dos Bichos” é antes de tudo uma crítica a qualquer regime opressor e totalitarista, crítica cada ainda mais ferrenha, por exemplo, na distopia “1984”, obra mais famosa de Orwell. Os animais, com suas idiossincrasias e personalidade, revelam muito mais do ser humano e da sociedade, do que se os próprios estivessem retratados neste romance. E este é o principal incômodo na leitura desta fábula adulta.

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