6 de abril de 2015

KKKKKKK


O rosto inerte contrastava com os risos da conversa on line. Notava-se até certo enfado e um aparente cansaço. E a piada do colega e o comentário jocoso do amigo nem foram tão engraçados assim. Mas os dedos automaticamente escreviam a onomatopeica expressão advinda dos diálogos na Internet, da mesma forma que um riso espontaneamente aconteceria numa interlocução em carne e osso.
“kkkkkkk” para quando enviaram pelo WhatsApp uma foto engraçada. Tudo bem, a imagem era apenas diferente.
“kkkkkkk” depois de um vídeo com uma fala engraçada de um bêbado ou uma encenação caseira de uma situação do cotidiano.
“kkkkkkk” porque alguém falou mal de uma pessoa a qual você não vai com a cara (neste caso o riso até se esboçou no semblante).
Mas quando você mandou a sua mensagem que faria rolar de rir o mais sério dos homens, veio o silêncio. Mensagem visualizada, nenhum comentário, minutos eternos que converteram-se em horas. Quando o ostracismo de seu comentário brilhante era inevitável, o riso surgiu dentro do grupo. “kkk”. Três letrinhas e mais nenhuma outra observação. O que acontecera? O riso foi apenas de solidariedade para não ficar no vácuo? Não aceitaria esta esmola de atenção. Saiu do grupo ofendido, com a moral em baixa e o ego clamando por uma atenção virtual.
Segundo o internetês, o riso mais contido é o “rsrs”, enquanto a gargalhada escancarada é representada por vários e seguidos “k”, letra reincorporada ao alfabeto brasileiro. Só que ainda não quantificaram com quantos “k” se faz uma risada sincera.

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