30 de abril de 2015

Pombo


Pombo esmagado no asfalto, massa confusa e disforme na negritude da rua. Dá pena de olhar, tem pena de se ver. O que outrora fora vida, praga urbana a cruzar a cidade, agora morta, a lembrarmo-nos do incontornável destino. Senão pela roda do veículo apressado e desprevenido, talvez pela naturalidade da doença. Doença do pombo, mais um número na estatística. Menos um na paisagem citadina, que permanece gris, um tom acinzentado ressaltado pelas penas monocromáticas (enfeite inusitado no centro da rua) que se evidenciam e desprendem do pombo esmagado, quase desaparecido no asfalto, que será esquecido de vez.


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