24 de maio de 2015

Na Estante 39: Eles eram muitos cavalos (Luiz Ruffato)


Livro: Eles eram muitos cavalos
Autor: Luiz Ruffato
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2013
Páginas: 136 páginas


“Eles eram muitos cavalos” é um romance inovador. E chamá-lo de romance carrega um sentimento de estranhamento. Afinal o livro não conta com uma trama única, são diversas estórias cuja ligação é a presença das personagens na mesma cidade (São Paulo) e no mesmo dia (9 de maio de 2000). Muitos poderiam contestar afirmando que esta obra de Luiz Ruffato é uma coletânea de contos. Procurar classificações é perder tempo com uma discussão supérflua sobre gêneros literários, o importante e o mais impactante neste livro, além de sua forma avessa ao romance tradicional, é a multiplicidade de vozes que o escritor retrata em suas linhas. É um livro de personagens heterogêneas que traduzem a cidade de São Paulo em sua diversidade, que a representam e a fazem ser como é. Do mendigo ao assalariado, da dona de casa insatisfeita à prostituta que se agarra às lembranças de um cliente rico e afetuoso, do morador da periferia ao pertencente à classe média, do bandido à vítima, do desempregado aquele que trabalha em condições precárias. Relatos que impressionam pela concisão e pela crueza, circundados pela tristeza e a melancolia das conquistas não alcançadas, por uma realidade de violência e pobreza, de subsistência. “Eles eram muitos cavalos” incomoda não apenas pelo seu formato, mas o quão próximo estão aquelas personagens de nós (quem nunca travou contato com um desses tipos diariamente, mesmo que de maneira fortuita?), somos nós mesmos naquelas páginas vibrantes, pois trazem um recorte da própria vida ali. O romance de Luiz Ruffato é uma obra plural, que dialoga com o melhor e o pior de São Paulo, sem distingui-los, pois pertencentes a mesma cidade, que é única, que traz o mundo inteiro em si, que é traduzida em forma de texto literário. 

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