15 de junho de 2015

Das coisas que eu aprendi na greve

Foto: Peter Leone/Futura Press/Estadão Conteúdo

O mundo é uma escola, já disseram uma vez. Há situações no nosso dia a dia, no exterior das nossas casas e instituições de ensino que nos tornam maduros e sábios. Aprendemos tanto quanto sentados numa carteira, observando a fala do professor. Uma das coisas que eu aprendi nesta greve foi justamente com a figura do professor. Os professores e professoras que corajosamente aderiram ao movimento e, principalmente, resistiram até o fim.
Por ser um ambiente fechado, a escola vira um elemento alienante quando mal utilizado pela gestão e os próprios docentes. Sair da escola, para engrossar os números da greve e ainda colaborar, um pouco             que fosse, com as ações do sindicato, revelou outro mundo existente na cidade onde leciono. Conheci escolas da região, conheci a própria cidade onde moro há poucos meses, conheci pessoas engajadas e comprometidas, preocupadas em melhorar a sua área de atuação. Por outro lado aprendi que existe muito medo ao redor desta classe que, contraditoriamente, por ser esclarecida e especializada, não deveria se deixar dominar e subjugar e, principalmente por ter conhecimento, deveria se levantar da cadeira e lutar por melhores condições de trabalho. Mas permitiu-se levar pela covardia e pela apatia (e, posso afirmar também, certo comodismo). Isto entristece e revolta, pois serão os conformados que continuarão a disseminar lições sem sentido aos alunos que permanecerão no mesmo estado. Dar a cara à tapa não é fácil, desde aquele que preferiu aproveitar a ausência da sala de aula para cuidar de outras tarefas (ciente do desconto em sua folha de pagamento) até o outro que vestiu a camisa da causa do professorado paulista e lutou incansavelmente, todos os dias. Este texto é para vocês.
Se existe alguém que mereça a alcunha de mestre, de professor, são esses que, quase que literalmente, digladiaram em cada um dos mais de 90 dias de greve, colocando na prática aquilo que aprenderam, aquilo em que acreditam. Se existe uma fagulha de esperança na educação, tão em descrédito, em completa falência e decadência, são esses guerreiros que a mantêm acesa e com ela podem incendiar o mundo, incendiar os alunos de novas ideias, de reflexão sobre aquilo que os rodeia. Se há um professor que eu queira ser, são esses professores que, apesar do ambiente prisional das escolas, não sentem-se encarcerados, limitados pelas amarras que o sistema impõe a cada dia, burocratizando algo que deve ser sempre vivo, movente, transgressor: a educação.
      Mesmo não havendo atendimento às reivindicações, mesmo que cansados e massacrados por um governo autoritário e relapso com os jovens, crianças e o corpo docente que lida com elas, são esses verdadeiros mestres que me fizeram aprender muito mais, que me motivaram a persistir e a encontrar uma luz no fim do túnel demasiado escuro da educação no estado de São Paulo e no país.


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