21 de setembro de 2015

Na Estante 44: O Pintassilgo (Donna Tartt)


Livro: O pintassilgo
Autor: Donna Tart
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014
Páginas: 728


Receio que este post seja mais um texto sobre o processo de leitura de O Pintassilgo do que o próprio livro exatamente. Tinha começado a ler este romance de Donna Tartt em fevereiro deste ano, primeiras páginas logo abandonadas por outras leituras que priorizaram-se no momento. Depois foi retomado de uma maneira esporádica, quase letárgica. A narrativa, apesar de algumas passagens interessantes, não fluía. Não conseguia entender toda a celebração da crítica especializada em torno desta obra vencedora do Prêmio Pulitzer. Tudo bem, insisti mais um pouco, novamente certo tédio, certa empolgação, até que, enfim, terminei-o.
A expectativa não foi superada, infelizmente, mas percebi que teria que enxergá-lo com outros olhos, pois o livro foge ao estilo de obra literária a qual estou acostumado a ler. Uma trama focada muito no enredo, apesar de momentos bem descritos, não é muito o meu forte. Mas O Pintassilgo não é um livro ruim, apesar dos contras. Donna Tartt é habilidosa ao entrar no imaginário de um garoto adolescente e retratar todo o contexto das obras de arte e restaurações, o submundo por trás disto, e retomar um assunto espinhoso, para o público americano especialmente, como o terrorismo (que dá o pontapé inicial à trama contada por Tartt).
Theodore Decker é um adolescente de 13 anos que perde a mãe num ataque terrorista a um museu em Nova York e que acaba levando para casa, a pedido de um senhor, também vítima da explosão (Theo estava presente no museu quando o ataque ocorreu), uma obra rara do pintor do século XVII Carel Fabritius que dá nome ao livro. O garoto acaba sob a tutela provisória da família Harbour (pois ele e sua mãe foram abandonados pelo pai há alguns anos), de quem Theo é colega de escola de um dos filhos, Andy. Escrever mais seria entregar a trama e estragar o prazer de algumas reviravoltas ou novos personagens.
Começo dizendo que O Pintassilgo poderia ter menos páginas e esta afirmação não denota preguiça em ler, mas aquilo que o romance tem de excesso, muitas descrições e cenas desnecessárias que não agregam tanto à estória. É um romance tradicional no sentido do que e do como conta e psicológico quando invade a mente de Theo, que também é o narrador, cujo mérito é fazer uma interessante reflexão sobre o universo da arte: o quanto as obras artísticas (não só as pinturas) nos atingem de certa forma, como a visão de uma obra que consideramos perfeitas pode influenciar para sempre e inevitavelmente nosso olhar, acabam tornando-se uma referência involuntária e uma procura, nas outras criações que surgirem, daquilo que nos surpreendeu numa obra-prima.
Pena que o livro não tenha o mesmo impacto de uma obra de arte literária marcante como tão bem a escritora definiu em suas páginas finais.

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