1 de outubro de 2015

Na Estante 45: Sonetos do Amor Obscuro e Divã do Tamarit (Federico García Lorca)


Livro: Sonetos de amor obscuro / Divã do Tamaritt
(Coleção Folha Literatura Ibero-Americana)
Autor: Federico Garcia Lorca
Editora: MEDIA Fashion
Ano: 2012

Páginas: 90

O amor alimenta a poesia, desde as produções mais antigas, como no caso das cantigas de amor e de amigo da literatura portuguesa. Federico Garcia Lorca recupera um tanto quanto desse amor desesperado da época medieval e os conflitos internos da poesia barroca e acrescenta imagens e metáforas sombrias na tessitura dos versos de “Sonetos do Amor Obscuro” revelando o quanto este sentimento tem de sofrido quando não há correspondência ou pela simples espera de uma resposta ou escutar da voz de quem se ama ao telefone ou a distância que faz-se entre os dois, enfim, toda ânsia positiva e negativa de estar apaixonado. Os poemas ganham nova interpretação se lembrarmos que o poeta foi um homossexual assumido num período em que era um tabu falar abertamente a respeito disso. Já em “Divã do Tamarit”, Lorca acrescenta a presença da morte nos gazéis e casidas (formas fixas de poemas, como o soneto e a ode, por exemplo), resgata a paisagem de Granada com a inventividade metafórica dos versos que por vezes remetem ao amor e flertam com o fantástico e o surreal, inventividade esta que o tornou um dos maiores nomes da literatura espanhola. Conhecia um pouco da trajetória do poeta espanhol Federico García Lorca, mas nunca tinha travado contato com sua obra poética. Lorca também revolucionou o teatro e foi uma das vítimas da Guerra Civil Espanhola. “Sonetos de Amor Obscuro e Divã do Tamarit” foram publicados postumamente e tem a vantagem de ser uma edição bilíngue, o que permite ao leitor vivenciar também na língua original a musicalidade e o lirismo muito bem traduzidos para o nosso português, como no exemplo abaixo:

Casida II
Do Pranto

Fechei a minha sacada
porque não quero ouvir o pranto,
mas por detrás dos muros grises
não se ouve outra coisa que o pranto.

Há pouquíssimos anjos que cantem,
há pouquíssimos cães que ladrem,
mil violinos cabem na palma da minha mão.

Mas o pranto é um cão imenso,
o pranto é um anjo imenso,
o pranto é um violino imenso,
as lágrimas amordaçam o vento,

e não se ouve outra coisa que o pranto.

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