15 de outubro de 2015

Sala de aula pós-apocalíptica


As lousas estão abandonadas, os cadernos amassados e esquecidos n’algum lugar. A poeira oculta os rabiscos de uma carteira, desenhos rupestres registrados por alguém não muito longe. As salas estão vazias. O que antigamente era cheio, vivaz, barulhento, que tinha a paz e o silêncio interrompidos por corridas e gritos eufóricos, conversas sussurrantes ou suspiro de tédio. Tédio. Tudo começou a partir dele e depois de um observar ao redor, aquele espaço perdera o sentido total. Um sentimento geral. Vírus daninho e sinuoso a contaminar qualquer vontade discente ou docente. De repente a educação não era mais necessária, após tantas organizações e desorganizações. Os discursos clichês da importância do estudo, da necessidade do ensino, perderam o viço, fez-se vinco na mais lisa das sedas, corroeu-se o restante de resiliência que havia em nós, mesmo que aos nós. Perdeu-se no embolar de tantas prioridades econômicas e exigências burocráticas. Mero produto descartável, jogado junto aos outros personagens deste drama barato (depois de muitos cortes e ajustes financeiros) no aterro que é esquecido e encoberto por outros lixos. No limbo. E quão mais pobre o país ficou. O quão miserável pereceu nosso estado. Pois sem saber, não entendíamos que tudo aquilo era um pesadelo vivo do qual não lutáramos para acordar, do qual era possível um súbito despertar. Tarde demais?...

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