7 de janeiro de 2016

Fim do mundo


Talvez o mundo acabe amanhã
Quando menos esperarmos
No durante o sono antes de despertar o despertador
Não haveria mais atraso ao trabalho
Nem serviço acumulado
Nem cobranças, nem prazo apertado
Nem a bajulação do solícito colega de labuta

Talvez o mundo acabe amanhã
Antes que me toque durante o banho
E o fim não permita o esbarrar n’alguém na lotação do metrô
Acabe tão rápido quanto a troca de olhares
Que me atingirá como a morte e é como se eu
Não existisse antes daquele momento
Não haverá olhar, não haverá toque, não haverá nada

Talvez o mundo acabe amanhã
Via meteoro, dilúvio, via e-mail
Numa avassaladora combustão ou
Submergindo a minha impaciência, a minha pressa
Tudo quanto é sonho estagnado
Tudo quanto é vida desperdiçada na duração de uma fila
Extinguindo qualquer falta de vontade

Diante de iminente catástrofe
Que não permitirá o humano
Que não permitirá natureza ou cultura
Tudo pó, tudo um dó, tudo só
Aguardo os sinais deste Armageddon
Que é diário e, no entanto,
Nunca se faz definitivo

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