14 de fevereiro de 2016

A gramática


A gramática do Bechara. A gramática do Celso Cunha. A gramática do Azeredo. As outras inumeráveis gramáticas, infindáveis, inalcançadas? A compreensão da língua, o todo arbitrário, um amontoado de signos como o dicionário que quase ninguém lê ou procura compreender. Nada escapa a elas e tudo me escapa. Definições que vêm e vão como lembranças, a gramática explica-me, mas não acompanha a dinâmica que a própria língua sofre com as diversas interferências e transformações do dia a dia. A gramática parada no tempo, no templo da estante. A gramática que me indica como ordenar palavras, muitas vezes sem me dizer o porquê. A gramática que me dá uma surra homérica (da qual sobrevivo não tão heroicamente), símbolo da resistência, da insistência, da resiliência. A gramática que me ajuda a escrever este texto e a compreender outros escritos que possibilitam o entendimento da própria gramática. A gramática existe como todas as outras coisas, ela é seu próprio significante e significado, para ordenar o mundo, para coordenar universos linguísticos, para coisificá-los n’algo que somente a linguagem pode ser. 

Um comentário:

  1. Penso palavra perfeita
    E acabo com meus ais
    Porque duma outra feita
    Não consultei o Huaiss?

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