23 de maio de 2016

Bode expiatório


Em tempos de crise, é preciso um bode expiatório para depositarmos nossas culpas e expurgá-las convenientemente. Mata-se apenas um da espécie, mesmo que outros também mereçam o sacrifício.
Em tempos de crise, os bodes, como bons rebanhos, são tangidos e conduzidos numa grande massa, para cá e para lá, para cima e para baixo, manobrados de acordo com a vontade de outrem, mesmo que o destino de tal caminhada seja o próprio abate ou a imolação do próximo.
Em tempos de crise, alguns grupos de bodes protestam mais e balem o quanto podem, irracionalmente, como que possuídos por algum Belzebu, proferindo palavras de ordem, de ódio, saudosos de um tempo que, na verdade, não haverá mais.
Em tempos de crise, que sangrem apenas um bode, pois assim não comentamos sobre os outros que, ironicamente, são culpados e permanecem inatingíveis, afinal a responsabilidade é somente daquele único que caiu e tingiu o chão de rubro. Logo em seguida assumem a liderança lobos que nomeiam raposas que convocam ratos e mais uma corja de insetos como assessores. Alguns bodes comemoram, outros revoltam-se e o estado das coisas permanece o mesmo. Para ambos...
Muitos bodes resistem, insistem, tentam convencer os seus semelhantes do contrário, o mal está feito e é uma tarefa quase inglória lutar. Quase, mas não impossível... 
Um bode bale num reconhecível vibrato: Será? Será? Será?
Essa historinha pode ser contada com bodes, carneiros, bois e outros ruminantes como personagens... Menos com tucanos, esses costumam a flanar impunes por aí...


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