10 de julho de 2016

Spoiler-vida


A vida é um grande spoiler. Um final que por todos é sabido. Desde quando damos as caras neste mundo velho sem porteira que a data da nossa season finale está definida. Às vezes vivemos temporadas curtas, temporadas longas; somos sucesso de público, mas não de crítica, somos unanimidade crítica e sequer temos audiência, às vezes a exibição acontece num horário obscuro sem que ninguém nos note. Vivemos uma comédia com uma claque surda de se ouvir, choramos os mais diferentes níveis de dramas, em alguns momentos a vida é um procedural investigativo, um suspense ou está repleta do mais puro horror. E haja imaginação para tanta fantasia, tantos monstros e seres extraordinários para suspender a realidade, aliviá-la ao menos. Quando será cancelada essa série que, por mais aparentemente insignificante que seja, sempre tem um espectador à espreita, ansioso dos novos acontecimentos, dos plot twists que transformarão por completo a vida daqueles personagens? Como virá este cancelamento? Por meio de uma morte natural, tranquila, na cama? Pelas mãos vis e assassinas de um ser homicida? Através de uma doença que conseguiu superar todas as nossas defesas? Causado pela bala irresponsável de um policial que se confundiu mais uma vez no exercício de sua função? Ou porque algum escritor/roteirista invisível o quis? Que mão inefável conduz tantas figuras importantes ao seu destino inexorável, que tempera com melodrama, clichês, estilo e experimentação as trajetórias diversas pelo mundo. O maior spoiler de nossas existências é a morte e por mais que já prevíssemos tal fado ainda nos assustamos com ela, nos surpreendemos com a sua iminência. Fácil é nos preocuparmos com o que vai acontecer no próximo episódio de nossa série favorita, desta forma esquecemos os nossos destinos por quase uma hora ou mais, até que a óbvia figura venha fazer uma visitinha de última hora...

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