7 de setembro de 2016

Vomitaço


Uma situação bastante desconfortável é o enjoo que nos ataca o estômago (geralmente devido a algum alimento, doença ou excesso de bebida) e uma das situações mais degradantes é quando, finalmente, chegamos ao ato em si, a agonia de expelir via oral aquilo que nos incomodava ou nos fazia mal. Hoje concluo que as pessoas ou escolhem remoer seus embrulhos estomacais até mais não aguentar ou não pensam duas vezes lançar boca afora, à maneira de Regan em O Exorcista, o que está a embolar-se dentro da barriga. Hoje eu recorro ao vômito...
Vomito os problemas que me oprimem no trabalho, as dificuldades no trato com os alunos, os desafios que quase sempre resultam em decepção.
Vomito a situação política e todo o futuro incerto que se instala aos nossos olhos e o alheamento de boa parte da população que continua seguindo seus caminhos como se nada de extraordinário tivesse acontecido.
Vomito toda a inaptidão para conciliar as coisas e a preguiça que impede de concluir outras e a mania de culpar sempre o tempo.
Vomito os livros que li e aquele monte que se empilha e aguarda uma atenção mínima ou a primeira leitura.
Vomito os planos não concluídos, aqueles frustrados, e os que não cansam de povoar a mente e que ainda me enchem de novas esperanças.
Vomito literalmente porque exagerei um pouco nos fermentados ou destilados, vomito por encarar o produto na privada que é tão nojento quanto à própria realidade. No entanto esse vômito é algo natural, natural como a nossa existência.
Vomitar vai ser o meu grito de independência!

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