8 de outubro de 2016

A casa lúgubre

A casa lúgubre permanece silente
E insiste em continuar muda
A TV liga e desliga impaciências
E as pessoas gozam sonos, dores de cabeça e marasmo
Gozam angústias, esperas, letras inexpressivas
Cômodos que abrem e fecham mutuamente
Mãos que espantam fantasmas e moscas com arrudas
Enquanto na cabeça não evitam indecências
Enquanto rins e estômagos contraem-se em espasmos
Enquanto esconde-se a dor dos seus convivas
A sujeira do quarto não incomoda
A poeira causa certa desolação
O caminhar não dá ritmo ao coração central
de um lar desanimado prestes a ruir e enfartar
A casa lúgubre quer cantar músicas de roda
Suas bases desejam requebrar um samba-canção
A casa quer espantar o bem e o mal
A casa deseja finalmente se afogar
Residência vazia que perpetua
Um cenário inexistente revisto em cinema
Incomunicabilidade gritante vinda do baixo
Tesão reprimido explodido noturnamente
Dizem que a solução está no olho de uma rua
Ou melhor seria a venda desse problema
Ganhar-se-ia dinheiro suficiente, eu acho
Ou se enlouqueceria pela casa demente.


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