11 de janeiro de 2017

Da problematização das desconstruções, ou vice-versa


Tudo é motivo para problematizar, logo agora que alguém estava se autodesconstruindo de tantas coisas. A pessoa mal acompanha a polêmica da última semana e já entra à baila da discussão um novo assunto não menos cercado de controvérsia. E aquela opinião que estava quase formada, volta a ter os alicerces abalados e cai por terra.
O Facebook virou o palco das opiniões, o mundo inteiro é especialista de qualquer tema, todos querem dar o seu pitaco a respeito das mais variadas situações. E se o debate é aprofundado por alguém (em postagens enormes, os chamados “textões”) imediatamente é refutado por comentários lacônicos do tipo “É o que acho”, “Não concordo”, “O perfil é meu e escrevo que eu quiser”, isso quando não descamba para o baixo calão.
            O grande impasse é justamente as pessoas encararem o espaço das redes sociais, que deveria propiciar um diálogo saudável a respeito das preocupações que circulam na nossa sociedade, como um imenso campo de batalha digital, onde cada indivíduo disputa, pela via da bala linguística, das armas verbais, dos emojis irados, um pouco do território no pensamento alheio.
         Ao estar diante de tantas convicções fica difícil para o leitor desconstruir as suas próprias, umas vez que essas convicções propagadas na rede são unilaterais e não permitem abertura para o diferente. O que era para ser plural tornou-se idiossincrático.
E as intenções de convencimentos e as tentativas de comunicar algo esboroam-se à primeira lufada de ânimos inflados, vão tudo por água abaixo...
       Surge daí a dúvida quase hamletiana: “problematizar ou não problematizar, eis a questão”. “Desconstruir-se ou não?”.
Vale a pena apertar o gatilho do revólver das discussões para ver quão longe a bala vai chegar ou qual estrago causará? E o quanto as pessoas estão dispostas a abrirem-se a este tiro que pode nem chegar perto, passar de raspão ou atingir à queima-roupa, desconstruindo assim desta forma? 
Uma coisa não independe da outra, problematização e desconstrução são complementares neste caso. É tudo um caso de comunicação, bem ou mal sucedida (a maneira como o emissor passa a mensagem e o modo do receptor a compreender). E comunicação, na atual conjuntura mundial, é o que mais falta entre nós.

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