19 de março de 2017

Na Estante 71: A bolsa amarela (Lygia Bojunga)


Livro: A bolsa amarela
Autor: Lygia Bojunga
Editora: Casa Lygia Bojunga
Ano: 2013
Páginas: 135

Uma bolsa que cabe tudo, o mundo, dentro dela cabem todas as vontades da protagonista, protagonista que almeja aquilo que é oposto dela ou que é esperado ao gênero o qual ela pertence. Raquel quer ser adulta, ser menino, pois eles têm mais privilégios do que as meninas, ela deseja ser escritora, mas suas histórias não são bem recebidas ou compreendidas pelo grupo familiar.
Ao ganhar de presente uma bolsa amarela, grande demais para o tamanho de Raquel, mas o suficiente para carregar os seus sonhos e suportar o peso de sua imaginação. Ela convive com personagens como um guarda-chuva, um alfinete, um galo oriundo de uma das estórias que ela criou. Ao mesmo tempo convive com a mãe, o pai e os irmãos, de origem pobre, e suporta a caridade de sua tia que tem uma situação financeira melhor e se desfaz das muitas coisas que ela compra e que não usa mais, entregando-as para a família de Raquel.
Em A bolsa amarela, temos uma protagonista criativa, escritora, dona de si e de suas opiniões, com uma imaginação em franco crescimento, que percebe o mundo ao redor e projetando o seu próprio universo para atenuar a sua realidade e sua condição. O livro utiliza-se de uma linguagem coloquial com termos como “Aí”, “tô”, interjeições e outros recursos, etc. e reforça a proximidade com a oralidade das crianças da mesma idade da protagonista.
Passados 40 anos da sua publicação, A bolsa amarela dialoga com temas urgentes da atualidade como a questão de gênero e o feminismo, além de, como é comum em grande parte da produção literária infanto-juvenil, exaltar a importância da leitura e da escrita como formas de libertação e de afirmação no mundo.

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